Neste blogue encontrará artigos de opinião sobre: * as tecnologias de informação e comunicação (TIC) * o impacto das TIC nas organizações * as TIC e a administração central e local * as TIC na vida dos cidadãos * as TIC nos mais variados ramos da ciência e sociedade (saúde, ecologia, turismo, comércio, etc.)
Os segundos 60 posts deste blogue agora disponíveis em e-book
terça-feira, 11 de outubro de 2011
O inventor dos computadores
Artigo de opinião publicado no diário ‘As Beiras’
em 10 de Outubro de 2011
Os computadores de hoje são, certamente, radicalmente diferentes dos computadores do passado. Cada vez mais poderosos e complexos, executam procedimentos tão elaborados que quase nos fazem crer que são seres vivos e inteligentes. Mas, afinal, o que é um computador e quem os inventou? Estas são questões de difícil resposta, gerando, até, discórdia entre muitos especialistas.
Diferentes dispositivos, com diferentes características – de funcionamento mecânico, eletromecânico ou electrónico – podem ser considerados computadores, daí que seja difícil chegar a uma definição consensual, suficientemente abrangente. Por esse mesmo motivo é, também, difícil dizer quem construiu o primeiro computador.
Entre 1934 e 1938, o engenheiro alemão Konrad Zuse (n. 22/6/1910, f. 18/12/1995) construiu uma unidade aritmética mecânica, digital, programável por cartões perfurados, que batizou com o nome de Z1. Em 1939 construiu o Z2, uma versão eletromecânica melhorada, a que se seguiu o Z3, em 1941. Por isto, muitos atribuem a Zuse a construção do primeiro computador.
Entre 1943 e 1946 foi desenvolvido o ENIAC – Electronic Numerical Integrator And Computer. Inicialmente explorado pelo exército dos EUA para cálculo de trajetórias de tiro, foi utilizado em múltiplas tarefas até 1955. O ENIAC é, atualmente, reconhecido como o primeiro computador inteiramente electrónico de uso comum.
Surpreendentemente, quando se alarga o conceito de computador por forma a abranger qualquer dispositivo capaz de se substituir a cálculos científicos manuais, teremos que recuar mais de dois mil anos na História da Humanidade.
De facto, o mecanismo descoberto em 1900 nos restos de um naufrágio ocorrido entre os anos 80 e 40 antes de Cristo (AC) ao largo da ilha grega de Antikythera é considerado o primeiro computador conhecido. Totalmente mecânico, com trinta rodas dentadas com diferentes factores multiplicativos e três mostradores, constitui uma calculadora astronómica especializada.
Este computador permitia calcular as fases e posição da Lua, a posição do Sol e dos cinco planetas então conhecidos, bem como as datas de ocorrência dos eclipses do Sol e da Lua. Para além da data, os seus mostradores apresentavam os calendários e ciclos Sinódico, Calítico, Metónico, Olímpico e de Saros. Este mecanismo conseguia, ainda, reproduzir a variação do movimento angular da Lua, causada pelo facto da sua órbita ser elítica e não circular.
O mecanismo de Antikythera, presentemente exposto no Museu Arqueológico Nacional de Atenas, é extremamente sofisticado e, para além de resultar de conhecimento científico recolhido ao longo de séculos, evidencia um longo percurso tecnológico, pelo que não deveria ser um exemplar único. Textos de Cícero referem que Arquimedes (n. 287 AC, f. 212 AC) construiu dois desses aparelhos. Tudo indica, assim, que para além de um genial matemático, físico, astrónomo e engenheiro, Arquimedes foi o inventor dos computadores.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
A praia digital
Artigo de opinião publicado no diário ‘As Beiras’
em 3 de Outubro de 2011
Por onde quer que passemos e o que quer que façamos, deixamos sempre marcas. Por vezes queremos que perdurem, para que outros reconheçam o que fizemos. Outras vezes, queremos que sejam as menores possíveis, como no caso da pegada ecológica. Também quando usamos as tecnologias da informação e comunicação (TIC) deixamos uma pegada digital, que outros poderão seguir e utilizar para fins – meritórios ou não – que a maior parte das pessoas desconhece.
Sempre que utilizamos uma infraestrutura de comunicações – seja ela a Internet, uma rede de comunicações móveis ou uma rede privada – são gerados registos que identificam a origem e o destino da comunicação, a data e hora, a quantidade de tráfego gerado, os protocolos utilizados. São registos necessários ao funcionamento e gestão da infraestrutura, que permitem, por exemplo, a taxação, mas também, a intercepção legal de comunicações.
Também a utilização de todo o tipo de aplicações Web – como sejam a utilização de serviços de web mail, das redes sociais, de compras on-line, de jogos ou, simplesmente, de web browsing – deixa ‘pegadas profundas’ já que, para além dos já referidos dados de utilização da infraestrutura de comunicações, os servidores e serviços de aplicação guardam todo um manancial de informação sobre quem os utiliza, que podem incluir dados pessoais, preferências manifestadas ou implícitas, padrões de utilização, registo de compras, registos de páginas mais visitadas e contactos com outros utilizadores. Parece, no entanto, que a maior parte dos utilizadores consente essa recolha de informação, ao contrário do que se passaria se tal recolha fosse feita não por meios automáticos mas sim de forma presencial.
É certo que muitos dos dados deixados pela utilização das TIC podem ser utilizados para benefício de todos, como no caso da interpretação de dados de mobilidade urbana – assumindo que os dispositivos móveis dos utilizadores têm um sistema de posicionamento e os utilizadores autorizam a utilização desses dados – ou, como é evidente, no caso da prevenção e combate de atividades criminosas e/ou terroristas.
As questões que se levantam a essa utilização são, no entanto, muitas, sendo muito ténue a linha que separa a legalidade da ilegalidade. Existe uma clara diferença entre utilização de dados consentida e não consentida. Mesmo que privacidade e legalidade sejam garantidas, falhas humanas podem levar a que dados confidenciais sejam inadvertidamente divulgados. Neste caso, os riscos das TIC são, claramente, o preço a pagar pelas suas vantagens.
O nosso rastro digital é semelhante a pegadas na areia de uma praia. Por vezes, sobrepõem-se pegadas de outras pessoas, tornando-as indiscerníveis. Outras vezes, o mar encarrega-se de apagar as que dele se encontram mais perto. Mas, ainda que se queira, é extremamente difícil apagar todas as marcas que deixamos desde que entramos na praia até que saímos. Também é assim a praia digital.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Profissionais com futuro
Artigo de opinião publicado no diário ‘As Beiras’
em 26 de Setembro de 2011
Costuma dizer-se que o futuro a Deus pertence, mas o que é certo é que várias são as entidades e empresas, a nível nacional ou internacional, que se dedicam a identificar as principais tendências de mercado e a realizar testes vocacionais, por forma a aconselhar – tantas vezes a preços pouco modestos – quem pretende iniciar a sua formação ou a sua carreira profissional.
Para tal apregoam – quase jurando a pés juntos – que sabem de fonte segura quais são ou vão ser as profissões com futuro, escamoteando o pequeno pormenor de que nesta como em outras áreas as tendências são como as ondas do oceano, umas vezes grandes outras vezes pequenas, umas vezes mais rápidas outras vezes mais lentas, por vezes muito calmas outras vezes gerando tsunamis, mas sempre com um elevado grau de imprevisibilidade.
Por outro lado, também é certo que as modernas tecnologias da informação e comunicação (TIC) mudaram radicalmente o panorama profissional, tendo levado à obsolescência de muitas profissões e ao aparecimento de várias outras, confirmando que, tal como os indivíduos e as espécies, também as profissões aparecem, florescem e se extinguem.
Apesar do impacto das TIC, não se pode afirmar, no entanto, como muitos o fazem, que só as profissões tecnológicas têm futuro. Independentemente da evolução tecnológica, as pessoas precisarão sempre de se alimentar, de se educar, de se deslocar, de habitar e trabalhar em edifícios, de comunicar, de usufruir de cuidados de higiene e saúde, de ter acesso à justiça, de criar e de beneficiar das criações de outros, de adquirir bens e serviços, de se divertir, de apreciar arte, de conhecer outras paragens e costumes, enfim, de viver.
Naturalmente que praticamente todas as profissões que servem de base ao enorme conjunto de atividades contemporâneas, das quais se deram alguns exemplos acima, foram afetadas – em geral, de forma muito positiva – pelas TIC, tendo passado a exigir mais e melhor formação. No entanto, é curioso verificar que as profissões menos tecnológicas, isto é, as mais artesanais e/ou as que dependem mais do génio e criatividade humanos, são as que melhor sobrevivem às mudanças impostas pelo tempo, enquanto que as profissões mais dependentes das tecnologias são as que mais risco de obsolescência correm.
De facto, a par da competência, empenho e capacidade de trabalho, uma outra característica chave para qualquer pessoa que procure sucesso na sua profissão é a capacidade para adaptação à mudança. A formação de base e a formação específica são, naturalmente, importantes, mas de pouco ou nada servem se o profissional que delas emerge for incapaz de se adaptar a novos contextos e de evoluir.
É por isso que, mais do que pessoas rigidamente afetas a esta ou aquela profissão, ou com estas ou aquelas aptidões tecnológicas, as boas empresas procuram profissionais dinâmicos e, sobretudo, versáteis, pois é com estes que melhor podem enfrentar os desafios do futuro.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Arqueologia computacional
Artigo de opinião publicado no diário ‘As Beiras’
em 19 de Setembro de 2011
A pouco e pouco, com a popularidade das séries televisivas de investigação criminal, o público em geral começa a aperceber-se do enorme potencial que as tecnologias da informação e comunicação (TIC) têm no que diz respeito à reconstituição do passado. E porque é sobre o passado que se debruçam a Arqueologia e a História, também aqui as TIC desempenham um papel cada vez mais importante. Há, no entanto, boas e más utilizações das TIC nestas matérias, embora, felizmente, as primeiras sejam muito mais frequentes que as segundas.
As ferramentas computacionais podem suportar quase todas as áreas da Arqueologia e da História, como sejam a procura e exploração de sítios arqueológicos, o registo da evolução de escavações, o estudo e análise de locais, edifícios, artefactos, obras de arte e relíquias, a reconstituição e restauro de objetos, a troca de informação entre especialistas, a formação e, ainda, a divulgação ao grande público, quer em museus quer através da Internet.
O recurso a modelação 3D permite, por exemplo, a visualização de artefactos sob todos os ângulos, a comparação de formas, a visualização imersiva de locais arqueológicos antes e depois de reconstituição ou, ainda, a extração de contornos e/ou desenho de linhas, tão importantes no estudo arqueológico. A modelação, 3D ou 2D, é, também, um precioso auxiliar na reconstituição e restauro de artefactos, pinturas, locais arqueológicos e paisagens.
Por outro lado, a constituição de repositórios digitais contendo não só imagens mas também todo o tipo de dados permite a catalogação e indexação de objetos, bem como a subsequente análise e mineração de dados, quer por processos automáticos quer manuais. Estes repositórios assumem particular importância se estiverem disponíveis, através da Internet, a especialistas, que podem executar todo o tipo de estudos e ensaios sem causar qualquer tipo de dano aos objetos em estudo.
De entre a multiplicidade de tecnologias utilizadas na arqueologia computacional, destacam-se a tomografia computorizada, os scanners 3D (quer com base em dados sísmicos – tal como se faz na prospecção de petróleo – quer com base em técnicas óticas) a computação gráfica, as ferramentas matemáticas, os sistemas de informação geográfica e os sistemas de posicionamento.
Como aspecto negativo da utilização das TIC nestes domínios, salienta-se a pressão para realização de estudos antropológicos de figuras proeminentes da História – por exemplo, para determinar estaturas, tipos de alimentação, analisar possíveis fraturas, ou proceder a sempre duvidosas reconstituições faciais – não porque exista alguma razão objectiva e científica para realização desses estudos, mas sim para alimentar uma quase coscuvilhice em relação a “famosos” do passado, um pouco à laia de “reality show” retroativo. São, claramente, estudos a evitar, já que qualquer povo só se pode respeitar a si próprio se dignificar e respeitar o melhor do seu passado.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
O elo mais fraco
Artigo de opinião publicado no diário ‘As Beiras’
em 12 de Setembro de 2011
Há quem se questione se estamos a assistir, nos dias de hoje, a um incremento do número de ciber-ataques ou se, por outro lado, o que existe é mais atenção dos media em relação a este tipo de ocorrências. Provavelmente, a resposta certa é que ambas as afirmações correspondem à verdade, o que se entende facilmente.
Por um lado, o crescimento da utilização das tecnologias da informação e comunicação (TIC) leva a um maior número de potenciais vítimas, a uma maior exposição de informação e serviços críticos e, também, à existência de um maior número de especialistas informáticos capazes de ultrapassarem barreiras de segurança. Por outro, o impacto de certos ataques, mesmo que não totalmente consumados, pode ser de tal forma grande que, inevitavelmente, tem que ser alvo de informação por parte dos órgãos de comunicação social.
É certo que a capacidade dos ciber-criminosos aumenta todos os dias, a par da evolução tecnológica. Todos os dias, milhares de milhões de mensagens de correio electrónico com vírus, worms, cavalos de Tróia e muitos outros programas maliciosos, dignos da verdadeira caixa de Pandora, são enviados através da Internet. Todos os dias, incontáveis computadores infetados são agregados em botnets, sem que os seus donos suspeitem, formando “exércitos” de mercenários literalmente vendidos a hackers e crackers, para que estes os utilizem nos seus ataques. Todos os dias, centenas de milhares de ciber-crimes são perpetrados, com especial predileção por ataques contra contas bancárias, embora sistemas de grandes multinacionais e sistemas de informação e de segurança de governos e nações também estejam debaixo de constantes ameaças.
É claro que existe um manancial de ferramentas para proteger os sistemas informáticos, desde protocolos de comunicação especificamente desenvolvidos para garantir a confidencialidade e integridade da informação que circula na rede, a firewalls colocadas nas fronteiras e/ou pontos críticos das redes privadas das organizações ou, ainda, programas especializados na detecção e eliminação de todo o tipo de software malicioso. No entanto, como a sofisticação das ameaças está constantemente a evoluir, é essencial que tais sistemas sejam permanentemente atualizados e monitorizados, por forma a minimizar riscos e reduzir danos, o que, surpreendentemente, ou talvez não, é descurado num grande número de casos.
Apesar de todas as ferramentas disponíveis, nenhuma pode garantir a eliminação do erro ou falha humanos. Quase todos os ataques bem sucedidos têm por detrás uma falha humana, seja ela uma palavra chave demasiado frágil, a não observância de um procedimento básico ou o desconhecimento de regras fundamentais. Isto para não mencionar as quebras intencionais de segurança de sistemas de informação, normalmente com origem em pessoas internas ao sistema. Afinal de contas, em termos de segurança, por uma ou outra razão, o ser humano sempre foi e sempre será o elo mais fraco.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
O quadro interativo
Artigo de opinião a publicar no diário ‘As Beiras’
em 5 de Setembro de 2011
Numa altura em que arranca um novo ano letivo e em que, mais uma vez, se perfilam algumas mudanças no nosso sistema educativo, importa analisar o papel que as tecnologias da informação e comunicação (TIC) podem e devem desempenhar neste sistema que, há mais de um século, teima em ser um dos calcanhares de Aquiles da nossa sociedade.
Nos últimos anos a utilização das TIC no ensino foi claramente sobrevalorizada. Gerou-se, de algum modo, a crença de que as TIC nas salas de aula – e fora delas – seriam a chave para o crónico problema da educação em Portugal, a panaceia que resolveria de uma só vez, por artes mágicas, o flagelo do mau aproveitamento dos alunos e a maldição da falta de ferramentas de apoio à atividade dos professores.
Efetivamente, já dizia Arthur C. Clarke – escritor e inventor britânico recentemente falecido, a quem devemos o conceito de satélite de telecomunicações – que qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia. Parece, no entanto, que no caso da educação em Portugal se confiou demasiado numa anunciada magia, esquecendo-se que a tecnologia que lhe daria origem não tinha, de fato, capacidade para a produzir.
No grande espetáculo das TIC no ensino duas estrelas brilharam: o computador portátil e o quadro interativo. O primeiro seria um instrumento de acesso a informação, potenciador do conhecimento e estimulante do raciocínio. O segundo resolveria o difícil problema da interação professor-aluno, tornando-a mais cativante e mais viva. Ambos falharam os objectivos, quer por razões intrínsecas quer extrínsecas.
Curiosamente, na maioria dos casos o computador rapidamente se transformou numa ferramenta para minimizar a necessidade de procurar, analisar, questionar, raciocinar e aprender. Quanto ao quadro interativo passou a facilitar fortemente as aulas pré-formatadas, tantas vezes com recurso a diapositivos, tendo um efeito contrário ao pretendido: maior passividade e alheamento dos alunos.
Note-se que o próprio nome – quadro interativo – é enganador no contexto da educação. Com efeito, estes equipamentos são interativos, mas a interação ocorre entre o utilizador – neste caso, o professor – e o computador. Centra-se, assim, a interatividade na relação entre o docente e a máquina que este utiliza, quando, na realidade, o que se pretende no ensino é a interatividade entre docente e alunos, para a qual os quadros interativos pouco ou nada contribuem.
A interação docente-aluno é absolutamente necessária e determinante no ensino, especialmente no básico e no secundário. As tecnologias devem ser utilizadas se e quando potenciarem essa interação, e ser preteridas sempre que prejudicarem a educação e formação, por muito atrativas e interessantes que pareçam. Todos os bons docentes o sabem, assim como sabem que os verdadeiros e únicos quadros interativos de que precisam – aqueles nos quais realmente querem “escrever” com tinta indelével - são os seus alunos.
domingo, 31 de julho de 2011
A Internet das coisas
Artigo de opinião publicado no diário ‘As Beiras’
em 25 de Julho de 2011
Dizem as previsões que por volta de 2015 haverá quinze mil milhões de dispositivos ligados à Internet, ou seja, mais do dobro dos habitantes do planeta. Significará isto que a Internet deixará de ser uma rede para interligar pessoas e passará a ser uma rede de ‘coisas’?
A Internet dos dias de hoje é usada não só por pessoas, mas também por dispositivos ou objetos com alguma “inteligência”, isto é, com capacidades de processamento que lhes permitem, entre outras tarefas, enviar e receber informação através da rede, quer como resposta a comandos executados por humanos quer de forma autónoma.
A comunicação pessoa-objeto ou objeto-objeto tem por objetivo fundamental aumentar o leque de serviços disponíveis, tornando-os mais sensíveis ao contexto e mais “conscientes” de aspetos sociais e ambientais. Por exemplo, a ligação de dispositivos sensores e actuadores à Internet permite uma integração de mundos reais e virtuais, possibilitando que os utilizadores humanos tenham acesso a – e controlem – entidades e grandezas físicas através da Internet.
Através da Internet pode passar, assim, a ser possível aceder a variáveis ambientais numa habitação, controlar um processo fabril, monitorizar o funcionamento de componentes críticos de uma aeronave ou, simplesmente, verificar o stock de mantimentos no nosso frigorífico. O próprio frigorífico poderá proceder à encomenda de mantimentos num supermercado, através da Internet, se esse stock baixar para valores pré-definidos. Um carro poderá, também, agendar uma reparação quando detectar algum problema no seu próprio funcionamento.
De facto, o conceito de Internet das coisas pode ser levado tão longe quanto se queira. Com dispositivos cada vez mais “inteligentes”, estes poderão utilizar informação de contexto, analisar intenções e comportamentos humanos e atuar em vez das pessoas. Tal poderá ser útil, por exemplo, na monitorização de doentes em ambulatório. Se sensores de movimento e de posição detetarem que uma pessoa está imóvel, caída no chão de sua casa, poderão estabelecer de imediato uma videochamada com uma equipa de emergência ou com as autoridades, desencadeando uma ação de socorro.
A Internet das coisas abre enormes perspectivas de negócio, sendo encarada como um fator muito promissor para a economia de muitos países. Também abre muitas perspectivas em áreas chave como o lazer, a saúde, a segurança civil, a segurança militar e, até, a administração de países e territórios. É por isso que, a nível mundial, se investem já muitos milhares de milhões de euros na investigação e desenvolvimento nesta área.
Há, no entanto, que ter especial cuidado com este tipo de tecnologias, pois facilmente poderão ser desenvolvidos serviços que ponham em causa a privacidade, a independência, o livre arbítrio, a segurança e a liberdade das pessoas. Há que não esquecer que se é certo que a Internet será, no futuro, das coisas, o Mundo nunca poderá deixar de ser das pessoas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





